quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sentimentalismo não autorizado


Desculpe por sentir. Peço perdão por ter cometido um erro tão mundano.
Desculpe por causar problemas, ou melhor, por ser o real problema. Desculpe por transmitir positividade quando você quer ficar mal.
Desculpe por comer e me lambuzar. Desculpe por andar e tropeçar no ar.
Desculpe se meu jeito meio radical e grosseiro se funde a minha meiguice natural e isso te confunde.
Desculpe por dar um nó em seus ideais modernos com minha condição ultrapassada do que é certo e errado.
E principalmente, desculpe por agir da forma que eu considero errada e exigir que você faça a certa.
Desculpe por me preocupar. Desculpe por ser tão intensa. Desculpe por ler demais. Desculpe por querer que minha vida seja um filme. Desculpe pelos tons escuros que visto. Desculpe por detestar música alta. Desculpe por ser ruim em matemática. Desculpe por preferir a mim do que a você.
Desculpe pelo meu grotesco jeito de amar.
Desculpe por ser um erro.
Desculpe por não entender o pecado e ver diversão na ilegalidade.
Desculpe pela rebeldia, ou melhor, não desculpe. Esta eu apenas peço que você tenha paciência em lidar assim como tenho com a sua genuína ignorância dos fatos.
Desculpe por não me importar com os perigos em que aposto minha vida mesmo sabendo o quanto isso te machuca.
Desculpe por ser bruta tanto com palavras quanto com minhas ações.
Desculpe por ver a aparência ao caráter e o caráter ao dinheiro. Desculpe por ser tão confusa.
Desculpe por ser tão crítica, tão dura, tão estressada, tão eu.
Desculpe pelo ar de soberba quando o assunto é de meu conhecimento.
Desculpe por ser tão insolente. Desculpe pela minha total falta de ego. Desculpe pela nostalgia constante.
Desculpe por aceitar facilmente.
Desculpe pelas dores físicas e emocionais.
Desculpe ter deixado o nosso contrato sobre ser simples, expirar.
Desculpe pelo meu jeito. Assim como eu mesma, já me desculpei.

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