Hoje
eu acordei com o som estridente e ridiculamente insistente do interfone.
Levantei extremamente estressada e batendo os pés com o seguinte pensamento: quem ousa me acordar às 10h40min da manhã?
Ao
finalmente chegar à cozinha e dar por cessado o barulho infernal eis que ouço:
“A
Dete está aqui embaixo junto com o caminhão de mudança, o elevador está sendo
forrado neste momento, ela está subindo com o neto, tudo bem, D. Kátia?”E isso me assombra de tal forma que, até mesmo respirar, parece ser um desafio olímpico.
Então
cá estou eu, sentada na sala já que, nem no quarto de hóspedes eu tenho
condições de ficar pela bagunça lá inserida, escrevendo lamúrias pela vida que
eu escolhi para mim, e pensando sobre os morangos estragados que eu tive que
dar descarga.
Quer
dizer, eu sabia que este momento chegaria, mas você só se dá conta de que é
real quando levam suas coisas embora da casa da sua mãe, seu quarto montado com
quinze aninhos... O que te restava da sua antiga casa.
Você
sabe que acabou quando cada inalada do perfume de sua mãe se torna mágico,
quando você se segura para não chorar na frente dela apenas para que ela tenha
o direito de fazer isso com a intensidade de que precisa. Quando você sente que
a saudade vai te consumir por completo.
Você
percebe que cresceu quando começa a encontrar um monte de “poréns” em sua vida,
quando estes “poréns” não possuem uma solução, quando você sente medo do
desconhecido, pois sabe que não terá em quem se apoiar quando cair.
Eu
me sinto tensa, ansiosa, aterrorizada... Estou saindo de casa, céus! Estarei
por mim mesma agora, tendo que arrumar um emprego, estudar, me virar.
E
ao mesmo tempo, lutar para ser forte por tudo o que eu estarei deixando para
trás.
Vou
sentir falta de tudo, de todos, de mim ♥


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