quarta-feira, 4 de março de 2015

Linhas paralelas


Eu pensei seriamente em escrever sobre amor. Pensei mesmo!

Entretanto, cá estou eu, olhando há incontáveis minutos para a tela branca do Word, sem saber como e por onde começar.

Eis o meu problema: eu não tenho sobre quem escrever. Não possuo inspiração, e muito menos, um deus inspirador.

Meu dilema é que, eu não me apaixono desde o meu ex namorado. Eu até tentei pensar nele para ver se algo saía, um quote, um dueto ou até mesmo uma poesia, e depois de uns quinze segundos, eu senti vontade de vomitar.

Então, aqui eu vos digo que, estou com defeito para essa coisa de amor, paixão ou até mesmo, “frescurinha no rabo”.

É algo libertador e ao mesmo tempo broxante. Sabe o que é conversar com alguém e não sentir aquela expectativa de romance? Não? Vou explicar.

Pensem naquela pessoa super inteligente, bonita e extrovertida que está conversando com você. Sim, esse serzinho que te manda mensagens de bom dia e boa noite, que fala sobre filmes e livros com você, que gosta de música boa e que não tenta impressionar, apenas é aquilo e acabou.

A conversa é legal, flui bem e você até sente vontade de dar uns beijos.

E pronto, acabou, já era, endgame.

Entendem onde quero chegar? Não passa disso: uma amizade gostosa, uns pegas em meio à fala, uns pedaços de pizza e cada um segue sua vida.

Ficam com outras pessoas, saem juntos, falam bobagens e ninguém realmente está apaixonado por ninguém.

Não há aquele negócio de frio na barriga, turbilhão de pensamentos, ciúme, andar de mãos dadas ou dividir um futuro.

Não há nada. Não existe nós, tudo é apenas um egoísmo sem tamanho e aconchegante.

Eu vou viajar.
Eu vou ser uma ótima profissional.
Eu vou alugar um apartamento.
Eu vou sair hoje á noite.
Eu vou pedir sushi.
Eu vou comprar um gato.

É um conforto tão grande esse individualismo, essa certeza de que minha vida está intocada, da forma como deveria ser. Sem palpites, sem dores de cabeça.

Um mundo meu.

E o melhor de tudo é saber que você continua da mesma forma, em um universo seu.

E então, ao finalizar este relato, fico ainda mais satisfeita ao encontrar o amor que realmente importa: o próprio.

E ainda assim, falar sobre o nós que faltava, meu e seu, sem invadir o espaço que nos assombra.


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