Eu
pensei seriamente em escrever sobre amor. Pensei mesmo!
Entretanto,
cá estou eu, olhando há incontáveis minutos para a tela branca do Word, sem
saber como e por onde começar.
Eis
o meu problema: eu não tenho sobre quem escrever. Não possuo inspiração, e
muito menos, um deus inspirador.
Meu
dilema é que, eu não me apaixono desde o meu ex namorado. Eu até tentei pensar
nele para ver se algo saía, um quote, um dueto ou até mesmo uma poesia, e
depois de uns quinze segundos, eu senti vontade de vomitar.
Então,
aqui eu vos digo que, estou com defeito para essa coisa de amor, paixão ou até
mesmo, “frescurinha no rabo”.
É
algo libertador e ao mesmo tempo broxante. Sabe o que é conversar com alguém e
não sentir aquela expectativa de romance? Não? Vou explicar.
Pensem
naquela pessoa super inteligente, bonita e extrovertida que está conversando
com você. Sim, esse serzinho que te manda mensagens de bom dia e boa noite, que
fala sobre filmes e livros com você, que gosta de música boa e que não tenta
impressionar, apenas é aquilo e acabou.
A
conversa é legal, flui bem e você até sente vontade de dar uns beijos.
E
pronto, acabou, já era, endgame.
Entendem
onde quero chegar? Não passa disso: uma amizade gostosa, uns pegas em meio à
fala, uns pedaços de pizza e cada um segue sua vida.
Ficam
com outras pessoas, saem juntos, falam bobagens e ninguém realmente está
apaixonado por ninguém.
Não
há aquele negócio de frio na barriga, turbilhão de pensamentos, ciúme, andar de
mãos dadas ou dividir um futuro.
Não
há nada. Não existe nós, tudo é apenas um egoísmo sem tamanho e aconchegante.
Eu vou viajar.
Eu vou ser uma ótima
profissional.
Eu vou alugar um
apartamento.
Eu vou sair hoje á
noite.
Eu vou pedir sushi.
Eu vou comprar um gato.
É
um conforto tão grande esse individualismo, essa certeza de que minha vida está
intocada, da forma como deveria ser. Sem palpites, sem dores de cabeça.
Um
mundo meu.
E
o melhor de tudo é saber que você continua da mesma forma, em um universo seu.
E
então, ao finalizar este relato, fico ainda mais satisfeita ao encontrar o amor
que realmente importa: o próprio.
E
ainda assim, falar sobre o nós que
faltava, meu e seu, sem invadir o espaço que nos assombra.
♥

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