A grama estava úmida pelo sereno
noturno. Mas não importava. Gostava da sensação gélida em sua espinha. Sentia
sua camiseta branca ser tingida pelo orvalho. O cheiro da relva a acalmava. O
vento trouxe o odor cítrico dele. Aquele odor que a desnorteada desde sempre.
Ela não se
levantou. Ficou na mesma posição encarando o céu estrelado.
— O que
quer? — Perguntou ríspida.
O garoto
não se assustou. Já esperava por isso. Ele não respondeu. Sentou-se ao seu lado
e a contemplou. A pele alva, o nariz arrebitado, os olhos amendoados e os
cabelos loiros.
A noite
seguiu-se gélida. Nenhum som fora emitido. O silêncio já era muito
esclarecedor. Se amavam, mas sabiam a verdade. Jamais se teriam.
E em uma
última lágrima, um último beijo, o despertador tocou trazendo-o para longe de
sua amada por mais um dia de realidade atordoante.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Volte sempre pequeno cupcake