quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Licença poética


A grama estava úmida pelo sereno noturno. Mas não importava. Gostava da sensação gélida em sua espinha. Sentia sua camiseta branca ser tingida pelo orvalho. O cheiro da relva a acalmava. O vento trouxe o odor cítrico dele. Aquele odor que a desnorteada desde sempre.
Ela não se levantou. Ficou na mesma posição encarando o céu estrelado.
— O que quer? — Perguntou ríspida.
O garoto não se assustou. Já esperava por isso. Ele não respondeu. Sentou-se ao seu lado e a contemplou. A pele alva, o nariz arrebitado, os olhos amendoados e os cabelos loiros.
A noite seguiu-se gélida. Nenhum som fora emitido. O silêncio já era muito esclarecedor. Se amavam, mas sabiam a verdade. Jamais se teriam.

E em uma última lágrima, um último beijo, o despertador tocou trazendo-o para longe de sua amada por mais um dia de realidade atordoante. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Volte sempre pequeno cupcake